Simpatias e adivinhações dão o tom descontraído ao período junino

Em 24/06/2016
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Os acordes da sanfona e o cheiro da comida de milho não enganam. Junho chegou. É tempo de festejar Santo Antônio, São João e São Pedro. E no Nordeste essa festa rima com as tradicionais adivinhações e simpatias. Quem nunca apostou numa dessas brincadeiras que atire a primeira pedra!

Santo Antônio, o casamenteiro, que o diga. É um dos mais procurados pelas moças que sonham em arrumar um marido. Mas São João também não fica atrás. As brincadeiras de pular a fogueira e soltar fogos na noite de 23 de junho confirmam a tradição. Já São Pedro, o santo chaveiro do céu, é o padroeiro dos pescadores e das viúvas. Haja promessa para garantir a proteção e os pedidos realizados.

A jornalista Solange Mendonça acreditou piamente no santo casamenteiro, seguindo a tradição de várias gerações da sua família. E, após quatro anos de namoro com o advogado Felipe Coelho, o casório saiu. Quando? Em 11 de junho, numa homenagem ao 13 de junho, dia de Santo Antônio. Como manda a tradição, a imagem do santo só foi desvirada de cabeça para baixo no dia, e virou a estrela do casamento: entrou sustentando as alianças. Solange conta detalhes da promessa.

“Minha irmã foi lá na cidade de Santo Antônio mesmo,  trouxe uma lasca de madeira e minha avó trouxe dois santos: um pra mim e outro pra ela. Eu perdi o meu. Ela casou e me passou o dela. Além dele ser a pessoa que traz o casamento, ele é o protetor dos lares e da família”.

Segundo a antropóloga Zuleica Dantas, os festejos juninos têm raízes nos rituais pré-cristãos da Europa, em celebração às colheitas da lavoura. Esses ritos se somaram às festas pagãs, que originaram costumes como as simpatias e adivinhações.

“Essas festas vieram juntas com os nossos colonizadores. Esse é um fenômeno que remonta a essas práticas pré-cristãs na Europa, que se juntou a um catolicismo que a gente chama um catolicismo popular muito ligado na Europa a um catolicismo medieval, que aqui em Pernambuco, mais especificamente no Nordeste, ele vai e prolifera e nós temos essas marcas dentro da nossa cultura”.

E a tradição passa de mãe pra filha. A professora Fátima Barros é um exemplo. Casada há mais de 40 anos com o comerciante Vanildo Alves, ela gostava de fazer simpatias desde adolescente, seguindo a tradição da família. E continua fazendo. Dessa vez, para ajudar as filhas a encontrar um casório tão bem sucedido quanto o dela.

“Hoje a gente ainda vai na igreja de Santo Antônio, pedir um marido pras filhas, um casamento. A gente, quando visita um lugar e tem uma igreja, vai. A gente tem essa fé nessas simpatias”.

Fátima já provou e comprovou a eficácia das simpatias, inclusive na manutenção do seu casamento com amor e paciência ao longo de quase 50 anos. Por isso, recomenda o empurrãozinho do santo para  ajudar as moças.

“É você crer e fazer. Eu acho que acontece. Tem muita coisa que a gente vê, tem gente que diz que é destino. Mas tem que ter uma forcinha lá de cima. Acredite em Santo Antônio, porque quando a gente acredita, a gente consegue”.

Crença? Superstição? Não importa. A mística entre o fiel e o santo pode dar um sentido para a vida, como explica Zuleica Dantas.

“Se não dá sentido, essa crença no sobrenatural conforma os indivíduos e, pelo menos, atenua essa grande crise ou trauma do ser humano, de se sentir, de ter consciência da sua própria finitude”.

Já fez a sua simpatia? Se quer saber o que o futuro lhe reserva, coloque clara de ovo num copo virgem com água, na noite de São João. Caso no dia seguinte apareça um formato de igreja, o casamento está a caminho. Se for um navio, é viagem. E um caixão significa morte ou viuvez. Mas se você quer fazer aquele pedido especial ao santo, plante um dente de alho. Se brotar no outro dia, comece a comemorar. A materialização do desejo é líquida e certa. Pelo menos, é o que dizem as tradições…